Caso Emerson expõe, de novo, pulso firme de Tite no Timão

Episódio com o camisa 11 diante do Linense é apenas mais um exemplo da postura do treinador diante de problemas extracampo. Cortar mal pela raiz é sempre meta.

São Paulo (SP)

Alguns não conseguiram compreender. Outros acharam um tanto quanto exagerado. Teve gente que falou em desvio de foco pela apresentação ruim diante do Linense. Mas não foi nada disso que motivou Tite a reprovar a comemoração fria de Emerson após fazer o gol contra o Linense.

Naquele momento da entrevista coletiva, a ideia do treinador foi externar um recado em forma de bronca que já havia ocorrido minutos antes, em âmbito interno.

Assim que todo grupo se reuniu para fazer a tradicional oração no vestiár io, nada de elogios pela magra vitória. O comandante do Timão fechou o semblante e cobrou a postura desinteressada em boa parte dos 90 minutos que, mesmo com tanta diferença técnica, fez a partida ser bem mais difícil do que deveria.

O ato de aparente desleixo do atacante, explicado por ele no dia seguinte, foi apenas o exemplo, mas não a causa principal. Temendo que tal postura se tornasse rotina a poucos dias da estreia da equipe na Libertadores, o treinador resolveu cortar o mal pela raiz.

O recado, ríspido e inesperado por grande parte dos jogadores, foi a maneira que ele encontrou de evitar que a acomodação virasse a marca da equipe, algo que passou longe na campanha do pentacampeonato.

– Tenho certeza de que o recado foi dado. Quem estava lá no vestiário, sentiu. Os que chegaram há pouco tempo, como Vitor Júnior, perceberam que não terá espaço para esse tipo de coisa – afirmou um dos membros da comissão t écnica, ao L!.

O episódio com Emerson, na verdade, foi apenas mais um exemplo dessa postura firme de Tite com problemas fora das quatro linhas. Desde que voltou ao Parque São Jorge, em outubro de 2010, o treinador já demonstrou diversas vezes não aceitar que fatores extracampo sejam os causadores de resultados ruins.

Posição firme na escolha dos seus titulares e consequência pesada para atos de indisciplina no grupo ocorreram diante de seu pulso firme (veja casos emblemáticos abaixo).

OS CASOS

Jorge Henrique – Ago/2011
Jorge Henrique foi barrado pela cúpula corintiana por comportamento. A saída da equipe, na ocasião, foi um recado ao restante do grupo. A decisão ocorreu após reunião de Tite com toda diretoria no Parque São Jorge. Comissão técnica, presidente e diretores estavam sendo sendo avisados por torcedores que o jogador abusava fora das quatro linhas. Tite, na época, deu chance a Edenílson.

Eduardo Silva – Set/2011
Apesar do trabalho que vinha sendo desenvolvido por Eduardo Silva na preparação física dos jogadores, Tite não sentia confiança total no profissional. A saída, então, foi pedir que a diretoria trocasse o responsável pela forma física dos jogadores. Dudu, como era chamado no CT Joaquim Grava, foi demitido. Para o seu lugar, o treinador escolheu Fabio Mahseredjian, que se desligou do Internacional após a chegada de Dorival Júnior. “Fabio era um pedido antigo do Tite. Já tínhamos feito várias tentativas de trazê-lo, surgiu a oportunidade e fizemos”, explicou Roberto de Andrade na época.

Chicão – Out/2011
Em meio à fase mais turbulenta do time no Brasileirão, Chicão alegou péssimas condições psicológicas e abandonou a concentração na véspera do clássico contra o São Paulo. Tite, então, resolveu afastá-lo da equipe. O camisa 3, que era até capitão, é rebaixado para reserva de Wallace, que se torna a primeira opção para Paulo André e Leandro Castán. Apesar de Chicão ter ido, de quarto em quarto, avisar que sairia da concentração, nenhum jogador gostou da atitude, ainda mais sendo o capitão da equipe. Zagueiro voltou à equipe titular apenas em 2012, com o momento físico de Paulo André.  

Alex – Nov/2011
Tite pediu sua contratação. O Corinthians foi até a Rússia e, por cerca de 6 milhões de euros (R$ 15 mi), consegue repatriar o ex-jogador do Internacional. Apesar do apelo de torcedores e jornalistas para que o camisa 12 fosse titular do Corinthians na reta final do Brasileirão, o treinador não abriu mão de utilizar Danilo, que estava bem e vinha sendo fundamental no seu esquema de jogo. Em Florianópolis, contra o Figueirense, a duas rodadas do término, Alex iniciou o jogo no banco de reservas. No segundo tempo, após linda jogada individual, o meia deixou Liedson na cara do gol. Levezinho não perdoou.

Adriano – Jan/2012
Atacante que, na última temporada, virou notícia com status de Imperador apenas quando marcou contra o Atlético-MG, iniciou 2012 em marcha lenta. Sem tanta mobilidade, foi mal contra o Flamengo. Quando Tite o colocaria no amistoso com a Portuguesa, ele faltou ao treino. Além da punição financeira e bronca promovidas pela diretoria, o camisa 10 foi “rebaixado” para a preparação física. Neste momento, seus trabalhos não são com o treinador, e sim, com os preparadores físicos. Atitude de Tite foi um aviso ao grupo, para evitar que o grave ato de indisciplina se tornasse algo do dia-a-dia do CT Joaquim Grava.  

BATE-BOLA

Emerson Sheik, em entrevista coletiva no CT Dr. Joaquim Grava

Qual o motivo de você não ter comemorado o gol da vitória contra o Linense?
Por acaso, você (aponta para o repórter) assistiu ao jogo? Não comemorei o gol? Eu comemorei. Na comemoração, eu não vibrei daquela maneira que todo os atletas fazem quando marcam um gol mesmo. O jogo estava difícil e eu estava sentindo muitas dores. Estava pedindo muito a Deus para sobrar uma bola e sair o gol. E eu falei que se eu marcasse o gol, ia agradecer. E foi isso que fiz: apontei para o céu e agradeci demais.

O bom futebol do Corinthians ainda não saiu em 2012?
2011 foi um ano muito competitivo, principalmente aquele finalzinho, que ninguém sabia quem seria o campeão. Foi desgastante e competitivo, e aí vieram as férias. É natural que você baixe um pouco depois disso tudo. Os outros clubes, que não disputaram o Brasileiro, estão treinando desde novembro e vêm mais preparados para a competição. Por mais que os grandes tenham jogadores melhores, a parte física atrapalha. No futebol, não adianta ser o maestro e não ter a parte física. Estamos crescendo.

Já percebeu que no Corinthians qualquer polêmica ganha d imensões enormes?
O Corinthians é muito grande e é bom ter essa torcida imensa e linda cobrando. Tem que conviver com isso. Quem não aguenta, vai embora. Tudo aqui vira uma tsunami.

Como foi a conversa com o Tite após o jogo, no vestiário?
No vestiário, depois do jogo, a gente fecha para agradecer por não ter se machucado. O Tite sempre deixa claro que é por lesão que temos de agradecer e por poder voltar para casa e ver a nossa família. E foi nessa reunião que ele disse que a gente precisaria vibrar mais. Sobre a comemoração, só vi depois, na internet. Mas tenho certeza que quando eu falar com ele, tudo vai se resolver. Ele vai entender e gostar da minha comemoração. Foi para Deus… Qual o problema disso?

COM A PALAVRA

Suzy Fleury, psicóloga especializada em esporte

“Tite tem regras claras e ganha respeito”

“Ter pulso firme sendo arbitrário ou extremista é terrível. Mas Tite passa longe disso. Ele tem regras claríssimas e isso faz com que o grupo não reaja contra o afastamento de determinado atleta, por exemplo. A disciplina é indispensável em um esporte de alto rendimento. E, em alguns dos casos citados, ele foi corretíssimo ao mostrar que todos têm que cumprir as regras e não apenas alguns. O controle que o Tite impõe no elenco é muito produtivo e só deve acrescentar ao grupo do Corinthians nesta temporada. O bom é que ele não inventou essas “regras” do nada. Desde o início ele é bastante criterioso. Assim, não abre espaço para que  seus comandados esbocem qualquer tipo de revolta contra ele”.

 

4 Respostas para “Caso Emerson expõe, de novo, pulso firme de Tite no Timão”

  1. CARLOS ROBERTO Diz:

    TITE TINHA QUE TER PULSO MAis “forteé com jorge henrique ..que anda segurando demais a bola..até perder..depois faz faltas e leva cartões amarelos de graça..como aconteceu com o linense..O SHEIK,,NÃO VIBROU..COMO DE COSTUME..MAS JOGOU BOLA..E MARCOU O GOL SALVADOR..E AINDA LEVA BRONCA?? NÃO ENTENDI….ALO ADENOR..O QUE PRECISA É CONVERSAR COM O J HENRIQUE..E DANILO,.,,DEIXA O SHEIK EM PAZ..E TEM MAIS ROUPA “SUJA” SE LAVA EM CASA..E NÃO NA MÍDIA..SEUS COMENTÁRIOS DEU UMA SEMANA DE ASSUNTO P/ A MÍDIA..

  2. Múcio Rodolfo Diz:

    Pelo que o Zé Elias disse no SporTv o Adenor aproveitou o lance do Emerson para dar um recado ao time todo. Para o treinador é preciso jogar com vontade, com gana……Eu entendo que isto é uma forma de se evitar um pouco o que aconteceu em 2009, no qual alguns jogadores se poupavam dentro de campo nos jogos do paulistão visando os jogos da dita cuja.

  3. Múcio Rodolfo Diz:

    Isto que o Carlos Roberto falou a respeito do Jorge Henrique eu tb notei. Ele anda prendendo a bola demasiadamaente até ficar cercado pelos adversários e perder a bola. Trata-se de um jogador importante para o grupo, mesmo sendo reserva, mas tem que botar a cabecinha no lugar.

  4. Não pode dar moleza pra boleiro,se tiver cansado pede pra sair, e no próximo jogo,não joga,fica treinando a semana inteira em 2 períodos,até entrar em forma pra não cansar nunca mais.

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